Palestrante
Descrição
Em 1518, a instâncias de D. Jaime, 4º Duque de Bragança, o Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Azurara é doado pelos Franciscanos Claustrais, que aí estavam instalados, aos Frades Capuchos da Província da Piedade; esta que se viria a dividir mais tarde, ficando a parte a norte do Tejo denominada como Província da Soledade.
Situado o Convento em lugar especialmente aprazível, fruto da privilegiada localização junto à orla marítima, funcionara aqui um dos dois noviciados da Província de Santa Maria da Soledade; onde se afirmara, no dealbar dos séculos, uma religiosidade muito própria, revelada na cronística franciscana. A 28 de abril de 1757, Fr. Francisco de Azurara faz uma importante doação ao Convento da sua pátria: o corpo do Mártir S. Donato e um apreciável conjunto de outras relíquias que trouxe de Roma, mandando edificar na igreja conventual uma capela, onde seriam recolhidas e veneradas.
Propomo-nos, nesta comunicação, apresentar as nuances desta encomenda, analisando-as à luz dos valores tridentinos que ditaram a criação de um espaço onde as artes aplicadas, especialmente, apelam aos sentidos e convidam o crente a participar dos mistérios da Igreja Triunfante.
Nota biográfica | Short Bio
José Eduardo Pereira Araújo, natural de S. Martinho de Bougado (Trofa). Mestre em História da Arte, Património e Cultura Visual pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com a Dissertação: "Os Relicários móveis da Diocese do Porto: materialidade e práticas devocionais em torno dos objetos (séculos XVI-XVIII)". Licenciado em Gestão do Património Cultural, pela Escola Superior de Educação do Porto, tendo estagiado e trabalhado no Museu Nacional de Soares dos Reis. Participou, entre outros eventos, no IV Colóquio Português de Ourivesaria (2025), com a comunicação: "A restauração duma devoção: o relicário de S. Martinho de Bougado".
| Palavras-chave | Keywords | Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Azurara, Franciscanos, Barroco, Relíquias, Artes Decorativas |
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