4 – 6 de nov. de 2026
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
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Património religioso e organização do espaço sacro (Vinhais, séculos XVII–XVIII)

5 de nov. de 2026 17:20
20m
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Via Panorâmica, s/n 4150-564 Porto Portugal
Comunicação | Paper Espaços sacros Espaços Sacros

Palestrante

Dr. Helena de Barros Pires (Investigadora Citar)

Descrição

A estética e os valores da arquitetura refletem-se nos esquemas retabulares de um conjunto de igrejas e capelas das aldeias do concelho de Vinhais, onde a aplicação da talha dourada assume particular relevância enquanto património de elevado valor histórico-artístico. A localização geográfica de Vinhais e das suas aldeias, em contexto de proximidade fronteiriça com Espanha, favoreceu a incorporação de influências e a circulação de modelos artísticos associados às correntes castelhana e leonesa, sobretudo ao longo dos séculos XVII e XVIII. O território em análise apresenta um número significativo de edifícios religiosos, maioritariamente caracterizados por uma linguagem arquitetónica sóbria, com fachadas em pedra aparente ou caiadas, desprovidas de ornamentação relevante, excetuando elementos pontuais como molduras de vãos ou o tratamento mais cuidado dos portais. Não obstante, este contexto não se associa a grandes campanhas retabulares promovidas por estaleiros de dimensão significativa ou por encomendas de carácter erudito. Predomina, antes, uma produção de matriz local e popular que, embora revelando limitações ao nível dos recursos e da adoção de modelos formais consolidados, evidencia, em diversos casos, soluções de apreciável qualidade plástica. Alguns exemplares destacam-se pelo rigor técnico e pela expressividade decorativa, marcada por elevada densidade ornamental e sentido cenográfico. Do conjunto identificado, seleciona-se um corpus de cerca de onze igrejas para análise, privilegiando-se os retábulos da capela-mor enquanto elementos estruturantes do espaço litúrgico. Estes dispositivos reforçam o eixo longitudinal entre pórtico e cabeceira, integrando-se em molduras e programas pictóricos complementares. Apesar da escassez documental, a análise formal permite hipóteses interpretativas sobre a produção. Destacam-se artífices de Entre Douro e Minho e de Zamora e Valladolid, bem como mestres locais como Lourenço Baptista, João Francisco e João Duarte Pinto. Analisa-se ainda o retábulo de Dine, de Manuel Alves Macomboa. O estudo incide nos séculos XVII e XVIII.

Nota biográfica | Short Bio

Doutorada em Estudos do Património pela Universidade Católica Portuguesa – Escola das Artes (Porto, 2024), com a tese Arquitetura Franciscana na Raia de Trás-os-Montes/Castilla-León – Real Seminário dos Missionários Apostólicos de Vinhais (distinção “Magna Cum Laude”). Mestre em Reabilitação Urbana e Conservação do Património Arquitetónico pela Universidade Lusófona (2008), e licenciada em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa (1991). Possui formação complementar em Paleografia e Diplomática pela Universidade de Évora, Universidade de Letras de Lisboa e Universidade de Letras de Coimbra. Autora de diversos artigos sobre Arquitetura Religiosa e Património religioso em Trás-os-Montes e Castilla-León. Investigadora do CITAR.

Palavras-chave | Keywords Espaço sacro; Património religioso; Talha dourada; Retábulos; Vinhais.

Autor

Dr. Helena de Barros Pires (Investigadora Citar)

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