4 – 6 de nov. de 2026
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
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Os azulejos da Igreja de São Vítor e a afirmação do Arcebispado de Braga

5 de nov. de 2026 17:00
20m
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Via Panorâmica, s/n 4150-564 Porto Portugal
Comunicação | Paper Espaços sacros Espaços Sacros

Palestrantes

Prof. Maria Alexandra Trindade Trindade Gago da Câmara (Universidade Aberta; CHAIA/UE) Maria Teresa Verão (CHAIA/UE)

Descrição

Os azulejos da igreja de São Vitor de Braga, contruída por iniciativa de D. Luís de Sousa, reflectem o desejo de afirmação da autoridade do arcebispo de Braga, da sua ascendência política e religiosa, bem como da precedência do arcebispado em relação a todos os bispados portugueses, situação que se manteve até 1716.
O programa artístico assenta numa ampla galeria de santos ligados à história da cidade dos arcebispos. A nave acolhe dezoito dessas figuras insignes do seu passado e santificadas pelas suas acções, mártires ou antigos arcebispos, entre os quais se encontram São Rosendo, São Cucufate e São Torcato. Já o baptistério é ornado com a representação do baptismo de São Gonçalo. A capela-mor é totalmente ocupada por episódios da vida de São Vítor, ao qual o templo é dedicado. No coro alto encontramos São Paterno e o primeiro concílio de Toledo, ocorrido em 397, remetendo não só para a proeminência do arcebispado bracarense face a Espanha, mas, também, para o contexto político da época da encomenda, ainda marcado pela restauração da independência.
Os programas azulejares eram concebidos com recurso a fontes históricas e literárias. Para os azulejos do templo bracarense recorreu-se à obra Historia ecllesiastica dos arcebispos de Braga, e dos Santos, e varoes ilustres de D. Rodrigo da Cunha. Esta transposição do texto para a imagem é uma das características essenciais deste programa e irá tornar-se algo recorrente na azulejaria barroca. O programa decorativo da igreja de São Vítor constitui um exemplo paradigmático da utilização da memória de personagens com ligação ao lugar, fortalecendo a sua identidade e a daqueles que o habitam e asseverando a dignidade do arcebispado.

Nota biográfica | Short Bio

Maria Teresa Verão é licenciada em História - Ramo do Património Cultural pela Universidade de Évora, mestre em História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa e doutorada em História da Arte pela Universidade de Évora. No âmbito académico destacam-se os estudos dedicados à azulejaria barroca, com especia incidência nas narrativas históricas em azulejaria.

Palavras-chave | Keywords Azulejo; História; Hagiografia

Autor

Prof. Maria Alexandra Trindade Trindade Gago da Câmara (Universidade Aberta; CHAIA/UE)

Co-autor

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