Palestrante
Descrição
A comunicação partilha uma investigação focada no mobiliário expositivo histórico (MEH) enquanto suporte material de memórias e instrumento de gestão de coleções museológicas, tomando como estudo de caso o Gabinete de História Natural – Sala Domingos Vandelli, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (MCUC). Enquadrada nos Estudos Críticos do Património, a investigação centra-se na relação entre o MEH, recorrentemente não valorizado, as coleções e o edifício, entendendo o conjunto como um sistema patrimonial integrado, situado historicamente. O objetivo consiste em compreender o papel do MEH na construção, organização e transmissão da memória histórica das coleções de História Natural do MCUC. Metodologicamente, privilegia-se a análise das fontes documentais associadas à sua conceção, uso e transformação ao longo do tempo, potenciando fontes arquivísticas, inventários, registos museológicos e documentação técnica, em articulação com a leitura tipológica e funcional do mobiliário. Assim, apresentam-se os resultados desta investigação histórico-documental, destacando o contributo do MEH enquanto dispositivo de classificação, ordenação e inteligibilidade científica, mas também de valorização patrimonial do conjunto. Os resultados evidenciam que o MEH não constitui um elemento neutro, mas antes um agente ativo na estruturação do conhecimento, refletindo paradigmas científicos, práticas pedagógicas e lógicas institucionais específicas. As soluções tecnológicas e a organização interna do MEH revelam sistemas de classificação e estratégias de conservação implícitas, fundamentais para a compreensão da historicidade das coleções e da evolução das formas de gestão patrimonial. Tais resultados contribuem para a valorização do MEH como fonte documental e parte integrante do acervo, reforçando a sua relevância na gestão museológica. Alertam para a necessidade de gestão do risco associado tanto ao MEH quanto às coleções nele expostas e suportam a decisão de representar os conjuntos através de gémeos digitais, em planeamento, permitindo uma harmonia entre preservação do património e diferentes formas de fruição, mais inclusivas, dinâmicas e informadas.
Nota biográfica | Short Bio
Fernando dos Santos Antunes é bacharel em Tecnologia de Conservação e Restauro (1993) e licenciado em Arte, Arqueologia e Restauro (1997) pelo Instituto Politécnico de Tomar (IPT), onde obteve o título de Especialista em Conservação e Restauro (2014). Mestre em História da Arte – Teorias da Conservação e Restauro do Património Artístico, pela Universidade Lusíada de Lisboa (2003) e doutorando em Estudos do Património - Museologia, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É Professor Adjunto na Unidade Departamental de Arqueologia, Conservação e Restauro e Património, e investigador no TECHN&ART - Centro de Tecnologia e Restauro e Valorização das Artes, no IPT. Exerce a coordenação Erasmus e leciona conteúdos centrados no património cultural em madeira, teoria da conservação, preservação de coleções e na gestão integrada de riscos. Como conservador-restaurador, coordena e executa intervenções em bens culturais móveis e integrados. É diretor do Mestrado em Conservação e Restauro desde 2025.
| Palavras-chave | Keywords | Museus de ciência e tecnologia; Museu da Ciência da Universidade de Coimbra; Mobiliário expositivo histórico; Gestão do risco para coleções; Fruição inclusiva. |
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