4 – 6 de nov. de 2026
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Fuso horário Europe/Lisbon

Corpus loci e o simbólico. Continuando uma visão peripatética sobre a construção do mundo

6 de nov. de 2026 10:25
20m
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Via Panorâmica, s/n 4150-564 Porto Portugal
Comunicação | Paper Vernacular Vernacular

Palestrantes

Dr. João Soares (Departamento de Arquitectura da Universidade de Évora) Luís Ferro (Departamento de Arquitectura da Universidade de Évora)

Descrição

Na senda da investigação desenvolvida para a primeira edição do congresso internacional Genius Loci (2016), intitulada «Corpus loci e Matéria», a presente proposta de comunicação explora o correlato e a loquacidade entre a arquitectura e o cinema para reflectir sobre o papel do corpo (as mãos que caminham e os pés que pensam) na construção do sentido de lugar (genius loci).

O filme «Corpos de Barro» (1985), realizado por Mani Kaul, segue de perto o fabrico de estatuária sacra num telheiro indiano. Assistimos aos oleiros a esmagar a terra com os pés e a moldá-la e pintá-la com as mãos. Na oficina, o barro é moldado até obter a forma e a medida de um corpo humano. Depois de secas, as estátuas são pintadas e ornamentadas. A cor vem animar as estátuas ao replicar e simular a presença de olhos e de bocas. Por fim, as estátuas são colocadas em lugares sagrados, convertendo-se em ídolos venerados pela comunidade.

Em todas as civilizações, o barro é a matéria com a qual Deus moldou o Homem. Sob esta perspectiva, no filme «Corpos de Barro», o oleiro reproduz a criação divina. Porém, inverte-a. Aqui, o oleiro produz figuras de barro à sua própria imagem. Coloca-se no papel de Deus criador e faz homens que, posteriormente, sacraliza. O toque da mão do oleiro converte a terra num ídolo. Nisto participa a ideia de lugar: a terra é, também, a matéria que constitui, representa e simboliza o lugar. É filiação ao lugar.

Esta comunicação pretende interpretar a noção de lugar pelo que realmente é: o produto da dimensão cultural envolvente e uma complexa construção que condensa acções materiais e simbólicas das pessoas, das mãos e dos pés que o conformam: o corpus loci poder-se-ia dizer.

Nota biográfica | Short Bio

João Soares
Arquiteto pela FAUP (1998). Doutorado em urbanística pelo IUAV_Veneza (2004). Professor Associado e Director do Departamento de Arquitetura da Universidade de Évora. Coordenador da Linha de Investigação de Arquitectura do CHAIA/UÉ.

Luís Ferro
Arquitecto pelo DaUÉ (2012). Aluno do PDA/FAUP e investigador do CHAIA/UÉ e CEAU/FAUP. Professor Auxiliar Convidado do Departamento de Arquitectura da Universidade de Évora desde 2013, ano em que fundou o grupo Cinema-fora-dos Leões que promove sessões, ciclos, encontros e debates de e em torno do cinema de autor.

Palavras-chave | Keywords Corpus loci; Arquitectura; Cinema; Corpos de Barro; Mani Kaul.

Autores

Dr. João Soares (Departamento de Arquitectura da Universidade de Évora) Luís Ferro (Departamento de Arquitectura da Universidade de Évora)

Materiais de apresentação

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