Palestrante
Descrição
Apresenta se um 'compte rendu' de investigações desenvolvidas desde 2018, assumida uma exigida articulação de áreas disciplinares concomitantes, nomeadamente: estudos de viagens (literatura e criação visual), estudos feministas e decoloniais, educação estética e formação do gosto. Afirmou-se a necessidade em mobilizar valências conceptuais distintas articuladas a ferramentas digitais na fase mais recente, para experimentar/testar os dados ecfrásticos verificados. A interseção de tempos-espaços emergiram do fluxo autoral contemplado. As investigações sobre relatos de viagens/iconografias incidiram sobre viajantes dos séculos XIX, projetando-se nos inícios de XX. O eixo das jornadas privilegiou os percursos realizados em Portugal, Espanha, Itália e Inglaterra, sem descurar os périplos no Brasil. Pois se destacam, aqui, as autoras/artistas: Maria Graham (Índia, Brasil, Itália); Dora Wordsworth (Inglaterra, França, Portugal e Espanha); Marguerite Tollemache (Brasil, França, Inglaterra); Marianne Baillie (Portugal); Frances Elizabeth Wynne (Inglaterra e Europa Continental). Em casos específicos, as deslocações assumiram o caráter de residências prolongadas. Todas as jornadas se ancoraram na noção de tempo e espaço 'quase' mensuráveis, estabilizadas na demora psicoafetiva e intelectiva, quanto na mobilidade geográfica efetiva. Acompanhando se os registos de tais viagens e estadias, detetaram-se diferenças mas, também, similitudes e afinidades eletivas (Goethe dixit), o que permitiu a construção de uma cartografia visual e literária. Elencaram-se os denominadores comuns mais relevantes, expressando aderências racionais, sem prejuízo das razões identitárias. Apercebeu-se que os tempos se interseccionam, na vida de cada uma viajante, sobrepondo-se e individuando-se num fluxo georreferenciado que se trabalhou, numa fase mais recente, aplicando ferramentas digitais (Biomaps - Arcgis/Esri; AI 'prompt into image'). O passado e o futuro confluem; anulam-se no presente autoral (parafraseando Santo Agostinho, Confissões). A polissemia do tempo requer um território efetivo, suscetível de ser viajado no corpo da artista/escritora. Ao exercer o seu domínio - construção de identidade sozinha – salvaguarda memorabilia e alimenta divagações de mudança.
Nota biográfica | Short Bio
Doutorada em Filosofia Moderna e Contemporânea/Estética (1998), Faculdade de Filosofia de Braga/Universidade Católica Portuguesa: Fundamentos Filosóficos da Estética em Almada Negreiros.
Professora Coordenadora em Estética e Educação - Escola Superior de Educação/Politécnico do Porto. Diretora da licenciatura Gestão do Património Cultural e do Mestrado Património, Artes e Turismo Cultural.
Integra o Board do Centro de Cultura P.Porto.
Bolseira FCT:“Writing and Seeing” – 2000/2004.
Investigadora integrada do InED - Centro de Investigação e Inovação em Educação, de que foi diretora até 2017.
Linhas de investigação: Estética, filosofia e teorias da arte; Estudos cultura visual; Intermedialidades; Estudos Feministas e Decoloniais.
Membro AICA, DEMHIST, ELIA, ENCATC, SEyTA; foi membro da Comissão Científica do IHA/FCHS - UNL.
Membro Comissão Científica/Editorial de Revistas Académicas Internacionais.
Atividade como Curadora Independente, programadora e mediadora cultural.
Tem vários livros publicados, colaborando regularmente com revistas académicas internacionais.
Frequentou Ballet Clássico, Contemporâneo e Jazz, integrando a Companhia Pirmin Trecu (Porto).
| Palavras-chave | Keywords | Afinidades eletivas; Artistas e escritoras viajantes; Cartografia visual e literária; Inteligência Artificial; Tempo e território |
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