Palestrante
Descrição
As jazidas paleolíticas da Zona Industrial de Bouro (ZIB) e do Canal Intercetor de Esposende I (CIE I), ambas em Esposende, forneceram conjuntos artefactuais constituídos por bifaces, unifaces e machados de mão, o que permitiu associá-las ao tecno-complexo Acheulense.
No caso da ZIB, os materiais líticos ocorrem em depósitos de uma antiga plataforma costeira, conservada a ~15-20 m n.m.m., surgindo nos níveis superiores da sequência sedimentar. Tendo como referência datações OSL obtidas em plataformas marinhas análogas, situadas mais a norte – entre a foz do rio Minho e a foz do rio Neiva –, propõe-se, de forma provisória, a atribuição da plataforma da ZIB ao estádio isotópico marinho 11 (MIS 11).
Relativamente à jazida do CIE I, a posição estratigráfica dos artefactos indica uma cronologia posterior à formação do terraço marinho implantado a ~8-13 m n.m.m. – atribuído no setor Minho-Neiva ao MIS 9 –, sendo correlativos de depósitos fluviais e de tipo grain flow sobrejacentes, possivelmente formados durante o MIS 8.
Tendo como base de análise a indústria lítica do CIE I, numericamente mais expressiva, verifica-se uma elevada frequência de Large Cutting Tools (LCT), nomeadamente bifaces (n=96) e machados de mão (n=17). Em relação a estes últimos, tal frequência é especialmente significativa, uma vez que este tipo de utensílio costuma estar sub-representado nas jazidas do Litoral Minhoto, o que é tradicionalmente interpretado como consequência dos constrangimentos dimensionais da matéria-prima localmente disponível.
As cadeias operatórias de afeiçoamento identificadas, e tal como sucede noutras jazidas do litoral norte português, mostram que estes LCT resultam de sequências de talhe expeditas, centradas na exploração recorrente de seixos de quartzito de morfometria marinha.
Nota biográfica | Short Bio
Sérgio Monteiro-Rodrigues é professor Associado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, na área da Arqueologia pré-histórica, e investigador integrado do CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória».
A sua carreira como investigador iniciou-se no princípio dos anos de 1990 com um trabalho sobre as indústrias líticas paleolíticas dos terraços fluviais do rio Caia (Alto Alentejo), que iria culminar na dissertação de mestrado, defendida na FLUP em 1996.
Após este período dedicou-se à problemática da neolitização, centrando os seus estudos na região do Alto Douro português, onde escavou o sítio pré-histórico do Prazo (Vila Nova de Foz Côa) no âmbito do seu doutoramento.
Atualmente dedica-se ao estudo do Paleolítico Inferior do Norte de Portugal, com especial incidência no Minho Litoral e no vale do rio Minho.
| Palavras-chave | Keywords | Tecno-complexo Acheulense, Terraços marinhos, Depósitos costeiros continentais, Minho Litoral |
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