4 – 6 de nov. de 2026
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Fuso horário Europe/Lisbon

O “Leão que Ri” e a pesquisa etnográfica no estudo da arquitetura associada às independências africanas

6 de nov. de 2026 15:20
20m
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Via Panorâmica, s/n 4150-564 Porto Portugal
Poster Arquiteturas Apresentação de Posters

Palestrante

Lisandra Franco de Mendonça

Descrição

No âmbito de dois projetos de investigação, um de pós-doutoramento, centrado na arquitetura da cidade de Maputo e práticas do património no Sul Global, e outro, exploratório, com enfoque na descolonização, organizei as Oficinas “Ano zero, elementos para uma história da independência vista através da arquitetura, documentar | interpretar” para estudar edifícios reocupados no seguimento da independência de Moçambique (25 de junho de 1975). Entre eles, o aclamado “Leão que Ri” do arquiteto Pancho Guedes.
O evento decorreu entre 23 e 26 de julho de 2024 na Faculdade de Arquitetura e Planeamento Físico da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, com alunos, professores e investigadores convidados, e teve o propósito mais alargado de sensibilizar alunos e residentes para o papel da arquitetura na apropriação da cidade e de modos de habitar, que vieram formar novas urbanidades, no seguimento da descolonização. O intuito era o de espoletar uma aproximação à miríade de circunstâncias que intersectam possíveis interpretações do tema, a saber: o êxodo do país de ca. 200,000 colonos que se traduziu na dificuldade imediata de manter o normal funcionamento de serviços; a reocupação de um parque imobiliário que, segundo os preceitos do governo, era necessária à materialização de um dos objetivos da “luta” pela implementação de uma sociedade mais equitativa; a dificuldade de manter espaços habitacionais infraestruturados para os que, pela primeira vez, entravam em contacto com eles; a gestão de áreas comuns nos blocos de habitação coletiva, etc. Esta comunicação pretende discutir a possível relevância de uma aproximação etnográfica ao ensino e conservação da arquitetura em contextos pós-coloniais. A metodologia aqui discutida, aplicada nas Oficinas supramencionadas, põe em diálogo levantamentos arquitetónicos e de patologias da construção, utilização de drones na captura de vistas de proximidade/contextuais, e pesquisa histórica e oral, permitindo uma compreensão mais abrangente da história do ambiente construído.

Nota biográfica | Short Bio

Arquiteta, historiadora de arquitetura e investigadora em conservação do património com foco em Moçambique. Doutorada em Arquitetura e Urbanismo e em História e Restauro da Arquitetura, pela Universidade de Coimbra e pela Universidade “Sapienza” de Roma, respetivamente, com uma dissertação sobre a arquitetura do século XX do Moçambique colonial.
Entre 2019 e 2025 foi investigadora júnior na Universidade do Minho, no Laboratório de Paisagem, Património e Território (Lab2PT), no projeto “Arquitetura da Descolonização - Urbanidade Pós-colonial e Depois: A Mudança Epistemológica na Cultura da Arquitetura Moderna e na Abordagem da Conservação”. Iniciou essa investigação na Universidade Técnica de Berlim, como investigadora convidada bolseira da Fundação Alexander von Humboldt, no Grupo de Investigação “Identidade e Património”.

Palavras-chave | Keywords Moçambique; Maputo; Descolonização; Estudo da Arquitetura, Conservação

Autor

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