Palestrante
Descrição
A presente comunicação pretende debater a importância das disputas de narrativas descoloniais em torno de monumentos públicos existentes em antigos países colonizadores e colonizados, bem como a importância da sua crítica em ambientes onde se constrói conhecimento e se promove o bem-estar social, como nos museus.
Estes monumentos “herdados” sustentam-se numa memória colonial, seguindo uma perspetiva progressista e positivista ultrapassada, que silenciou heróis nativos, invisibilizando-os e deixando-os pouco ou quase nada representados. A manutenção da sua presença em espaços públicos constitui uma “homenagem” a um período histórico colonial, transformando personagens opressores em “heróis”, em contextos que se distanciam gradualmente desta visão acrítica.
Esta dicotomia carece de uma abordagem crítica que permita a exegese dos atos praticados por estas pessoas e a reconfiguração paradigmática da sua compreensão. Para a sua concretização, seguimos a perspetiva da geohistória de Fernand Braudel, procurando entender os processos e os espaços ocupados pela narrativa colonial, ainda impregnada nestes contextos, mostrando que a história das sociedades é inseparável do espaço em que existem. Para explorar a questão da disputa por representatividades locais e do pensamento teórico histórico, recorreremos à Escola dos Annales que, em meados do século XX, defendeu a expansão do movimento de decolonização através da democracia e dos movimentos sociais, transformando os ambientes em que estes monumentos coloniais estavam instaurados e reivindicando ações de reconfiguração nesses espaços, bem como a exposição destes monumentos em locais adequados para a sua reconexão e crítica de acordo com seu passado.
Para além de analisarmos exemplos de coletivos que agem de forma intervencionista para modificar, pressionar e discutir esse panorama, em ações comumente interpretadas como vandalismo, iremos apresentar exemplos desta ressignificação através da sua contextualização museológica. Desta forma, tentaremos perceber as medidas que podem ser tomadas para entender os lugares desses monumentos e contestar sua representatividade numa sociedade democrática.
Nota biográfica | Short Bio
Olímpio Campos Silva é licenciado em História com ênfase em Património Cultural (UFJF, Brasil) e mestrando em Museologia e Museografia na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. A sua investigação incide sobre decolonização e ressignificação de monumentos no espaço público, articulando memória coletiva, colonialidade do poder e iconoclastia secular. Tem experiência em mediação cultural, serviço educativo e curadoria de exposições no Brasil, Portugal e Áustria. No Memorial da República Presidente Itamar Franco (2022–2023) conduziu cerca de 120 visitas guiadas e co-organizou três exposições documentais. Participou no Erasmus+ YOUth Journey Design (Roménia, 2026), certificado pela Comissão Europeia.
| Palavras-chave | Keywords | Monumentos, Descolonização, Memória, Museus, Patrimônio. |
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