4 – 6 de nov. de 2026
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
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Arquitetura ancestral e modos de habitar Pataxó: A linguagem como chave interpretativa e a Tradução Cultural como mediação

5 de nov. de 2026 11:10
20m
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Via Panorâmica, s/n 4150-564 Porto Portugal
Comunicação | Paper Vernacular Vernacular

Palestrante

DANIELLA SOUZA (Universidade Federal da Bahia-UFBA)

Descrição

Este trabalho investiga as formas de habitar do povo Pataxó, indígenas do Sul da Bahia, Brasil, a partir da relação entre linguagem, arquitetura ancestral e tradução cultural, Compreendendo o habitar como prática relacional que articula território, coletividade e ancestralidade, parte-se do pressuposto de que a linguagem não apenas nomeia o mundo, mas o organiza, constituindo-se como chave interpretativa das formas materiais de existência.

Toma-se como objeto a Kijēmi. habitação tradicional do povo indígena Pataxó, entendida como expressão de uma arquitetura vernacular que integra dimensões materiais e imateriais da vida cultural. A análise etimológica do termo Kijēmi., ainda que não sistematizada em registros lexicográficos, sugere sua vinculação a práticas de construir, reunir e habitar coletivamente, indicando uma concepção de moradia que ultrapassa o abrigo individual e se afirma como espaço relacional.

Construídas com materiais do território, como madeira, palha e terra, as Kijēmi. expressam saberes ancestrais e modos de habitar transmitidos intergeracionalmente. Sua organização espacial e as formas de nomeação de suas partes revelam que a linguagem opera como dispositivo de classificação do espaço, articulando dimensões sociais e cosmológicas.

À luz da tradução cultural, argumenta-se que tais formas de habitar não podem ser plenamente traduzidas em categorias ocidentais, uma vez que envolvem sistemas de sentido que escapam à equivalência. A arquitetura vernacular Pataxó evidencia, assim, modos de existência nos quais linguagem, prática e cosmologia são indissociáveis.

Nota biográfica | Short Bio

Daniella Oliva é professora do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e doutoranda em Letras pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com pesquisa voltada para a tradução cultural em contextos indígenas, com ênfase no estudo do catecismo Kiriri. Seus interesses acadêmicos situam-se na interface entre linguagem, cultura e colonialidade, articulando estudos da tradução, antropologia e linguística. Atualmente, investiga as relações entre linguagem e modos de habitar, com atenção às formas indígenas de organização do espaço, da experiência e da vida coletiva, estabelecendo diálogos entre práticas materiais e sistemas simbólicos.

Palavras-chave | Keywords Arquitetura vernacular,Pataxó, Modos de Habitar,Linguagem, Tradução Cultural

Autor

DANIELLA SOUZA (Universidade Federal da Bahia-UFBA)

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