4 – 6 de nov. de 2026
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
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Contributos para a investigação do corpus arquitetónico de Nicola Bigaglia em Portugal: uma abordagem sistemática assente na Ciência Aberta

4 de nov. de 2026 16:40
20m
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Via Panorâmica, s/n 4150-564 Porto Portugal
Comunicação | Paper Arquiteturas Arquiteturas

Palestrante

Ana Ester Tavares (CITCEM/FLUP)

Descrição

Durante cerca de duas décadas, entre o final do século XIX e o início do século XX, Nicola Bigaglia, de origem veneziana, estabeleceu-se em Portugal, desenvolvendo a sua atividade profissional enquanto professor de Desenho Ornamental, mas também enquanto arquiteto e decorador de interiores. De facto, Bigaglia projetou de raiz alguns dos mais destacados testemunhos arquitetónicos de uma época caraterizada pela transição política, industrial e artística, mas também por um certo ecletismo, que nas suas obras se manifesta, por exemplo, na fusão de elementos arquitetónicos italianizantes e linguagens modernistas, adaptadas às necessidades dos comitentes. Veja-se, a título de exemplo, o Palacete Lima Mayer, obra distinguida com o primeiro lugar no Prémio Valmor em 1902, atribuído pela primeira vez nesse mesmo ano, ou o Palacete Lambertini, que obteve uma menção honrosa no Prémio de 1904.
Pese embora os edifícios referidos já tenham sido estudados, assim como alguns exemplares de arquitetura residencial unifamiliar nas regiões de Lisboa (Casa João Borges Alves, demolida em 1972 e Casa Angelo Izabella, demolida em 1990) e do Porto (Quinta de Santiago, Leça da Palmeira), importa ainda desenvolver um estudo de conjunto que permita enquadrar as cerca de 30 obras de arquitetura, assim como mais de uma dúzia de trabalhos de decoração de interiores, que anunciam Bigaglia como um dos responsáveis pela introdução da linguagem da Arte Nova em Portugal.
Nesse sentido, a presente comunicação propõe apresentar a sistematização da obra de Bigaglia em Portugal através da disponibilização de um mapeamento abrangente no território nacional, organizado numa base de dados FAIR, assente nos pilares da Ciência Aberta. Mediante o cruzamento de fontes diversificadas, como periódicos e fontes arquivísticas, com bibliografia recente, articulado com o estudo das arquiteturas ainda existentes, pretende-se contribuir para a leitura de um corpus que carece de uma abordagem interpretativa em diálogo com autores coevos.

Nota biográfica | Short Bio

Doutoranda em Estudos do Património – História da Arte na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Ao abrigo de uma bolsa de doutoramento da FCT (2023.02749.BDANA), desenvolve o projeto “Espaços privados da Música nos séculos XIX e XX em Portugal: propostas de leitura, reconstituição e comunicação”, em colaboração com o Museu Nacional da Música.
O interesse por temáticas que fundem a Música e a História da Arte provém da sua formação de base em Composição Musical (licenciatura e mestrado na Universidade de Aveiro – 2009-2014) em conjugação com o exercício profissional na área enquanto docente em escolas do ensino artístico especializado e também enquanto artista.
Licenciada em História da Arte pela FLUP (2021), desenvolve investigação desde 2020, procurando estabelecer diálogos entre a Música, a História da Arte e o estudo e interpretação do património envolvendo as Humanidades Digitais – designadamente através das técnicas de digitalização 2D e 3D.

Palavras-chave | Keywords Nicola Bigaglia; arquitetura portuguesa; Prémio Valmor; Arte Nova; Ciência Aberta

Autor

Ana Ester Tavares (CITCEM/FLUP)

Co-autores

Materiais de apresentação

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