4 – 6 de nov. de 2026
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
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Estucadores de Viana do Castelo: técnica e transmissão de um saber construtivo em declínio (sécs. XIX e XX)

4 de nov. de 2026 17:00
20m
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Via Panorâmica, s/n 4150-564 Porto Portugal
Comunicação | Paper Arquiteturas Arquiteturas

Palestrante

Filipe Freitas (Faculdade de Letras da Universidade do Porto)

Descrição

Viana do Castelo foi, nos séculos XIX e primeiro quartel do século XX, o centro de formação de estucadores ornamentistas em Portugal, sendo determinante para a difusão da arte do estuque a nível nacional e além-fronteiras. Integrada na arquitetura deste período, a arte do estuque não se configurava apenas como elemento decorativo, mas como linguagem arquitetónica definidora da estética espacial e funcional dos interiores.
Atualmente, a par de outros saberes de ofícios tradicionais, este encontra-se em risco de desaparecimento. A arte do estuque sobrevive de forma residual, sendo hoje apenas cinco os estucadores ainda em atividade na região, quando outrora se contavam às centenas. Esta rutura na transmissão de conhecimentos coloca desafios significativos à sua compreensão e salvaguarda.
No âmbito do doutoramento em Estudos do Património (História da Arte), da Faculdade de Letras da Universidade do Porto — intitulado “Estucadores de Viana: Arte, Ofício e Roteiro Artístico na Região do Estuque” —, desenvolve-se uma investigação que, reconhecendo o estuque como elemento decorativo de particular relevância, procura contribuir para a preservação deste património imaterial, restituindo a sua densidade histórica, técnica e cultural. Metodologicamente, privilegia-se a articulação entre a análise de fontes primárias e o trabalho de campo junto de estucadores em atividade, valorizando o conhecimento empírico e os modos de transmissão de saber que subsistem fora dos circuitos académicos convencionais.
A partir deste cruzamento, propõe-se a apresentação, em síntese, dos materiais, ferramentas, técnicas e formas que estruturam a arte do estuque no seu modo tradicional. Apresentam-se as suas vantagens em contraposição aos substitutos contemporâneos, bem como algumas estratégias para a sua valorização e difusão.
Ao articular arquitetura, técnica e património imaterial, este estudo pretende contribuir para a preservação e revalorização do estuque, não apenas como vestígio do passado, mas como prática com potencial de continuidade no presente e no futuro.

Nota biográfica | Short Bio

Licenciado em Conservação e Restauro pelo Instituto Politécnico de Tomar; pós-graduado em Gestão do Património Cultural pela Universidade Católica Portuguesa e mestre em Museologia pela Universidade de Coimbra.
Conservador-restaurador com cerca de 25 anos de exercício da profissão, com intervenções sob tutela das dioceses de Aveiro, Porto, Viana do Castelo e Vila Real, da extinta Direção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais e da Direção Regional de Cultura do Norte.
Nos últimos anos, exerceu funções de conservador-restaurador no Museu de Artes Decorativas de Viana do Castelo e esteve encarregado da catalogação, investigação, conservação e restauro do acervo de estuque decorativo recentemente adquirido pelo museu.
Presentemente, encontra-se a realizar o doutoramento em Estudos do Património (História da Arte), na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com uma tese intitulada “Estucadores de Viana: Arte, Ofício e Roteiro Artístico na Região do Estuque”, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Palavras-chave | Keywords Arte; Estuque; Ornamento; Estucadores; Viana do Castelo.

Autor

Filipe Freitas (Faculdade de Letras da Universidade do Porto)

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