Palestrante
Descrição
Este artigo busca analisar o filme Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, a partir das relações entre memória e imagem no contexto da ditadura militar brasileira. Essa obra cinematográfica se constrói a partir de experiências individuais do diretor, mas também se insere em uma busca por uma lembrança coletiva. Nesse sentido, a pesquisa investiga como o filme reconstrói a cidade de Recife dos anos 1970 por meio de estratégias estéticas e narrativas, como o uso de lentes anamórficas, filtros visuais e diferentes temporalidades, contribuindo para a elaboração de uma memória fragmentada que se justifica pelos tempos de violência aos quais se remete. Além disso, discute-se como a obra desloca o foco de grandes personagens históricos para sujeitos anônimos, evidenciando os mecanismos cotidianos de violência e apagamento promovidos pela ditadura. Por fim, a análise também aborda a articulação entre passado e presente, destacando como a memória contribui para as permanências e rupturas de estruturas de silenciamento. Conclui-se que Agente Secreto, para além de refletir sobre o passado, problematiza os processos de construção, preservação e esquecimento da memória, reafirmando o papel do cinema como suporte de crítica na história.
Nota biográfica | Short Bio
Mestranda em História da Arte, Património e Cultura Visual pela Universidade do Porto, desenvolve investigação voltada às relações entre cultura visual e comunicação. Possui formação em História e Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, onde também concluiu pós-graduação em História Contemporânea e Relações Internacionais. Sua trajetória articula pesquisa acadêmica com atividade profissional voltada para a assessoria de imprensa.
| Palavras-chave | Keywords | memória; Agente Secreto; ditadura militar; Kleber Mendonça Filho |
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