Palestrante
Descrição
O anjo é, na história da arte ocidental, uma das representações mais expressivas da mediação entre o humano e o transcendente. A sua presença no espaço eclesiástico respondeu sempre a uma função teológica precisa: habitar o limiar entre mundos, entre a finitude e o irrepresentável.
Este artigo propõe analisar, a partir de uma perspetiva iconológica, o processo pelo qual a iconografia angelical transitou para o espaço urbano contemporâneo e o que dessa função originária persiste nessa transição. O argumento central é que o anjo não se seculariza quando abandona o espaço sacro: migra, transportando consigo as funções que teologicamente o definem, respondendo a uma necessidade antropológica que a modernidade não suprimiu.
O estudo centra-se em três esculturas contemporâneas portuguesas – a Anja de José Rodrigues (Porto, 1996), o Vigilante de Alberto Vieira (Braga, 1997) e o Anjo de Portugal de Laureano Ribatua (Castelo de Paiva, 2003) – nas quais a figura angelical opera uma efetiva mediação simbólica, constituindo e densificando o lugar que habita. Por contraste, outras obras de iconografia angelical no espaço público português serão convocadas para evidenciar que esta função não é automática nem universal.
Esta análise procurará demonstrar que a persistência do sagrado no espaço urbano depende da capacidade da obra de instaurar uma verdadeira mediação simbólica.
Nota biográfica | Short Bio
Yolanda Silva é licenciada em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e encontra-se a concluir o mestrado em Estudos do Património pela Universidade Aberta, onde tem desenvolvido as temáticas da escultura contemporânea portuguesa, teoria da imagem e iconologia, sob orientação da Prof. Dra. Carla Alexandra Gonçalves. Exerce funções na Câmara Municipal do Porto, no âmbito do Património Cultural. Os seus interesses de investigação centram-se na iconografia e iconologia da arte pública contemporânea e na persistência do sagrado no espaço urbano.
| Palavras-chave | Keywords | iconologia; anjo; secularização; arte pública; genius loci |
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