Palestrante
Descrição
As Metamorfoses de Ovídio consolidaram-se, ao longo dos séculos, como uma das fontes literárias mais férteis para a imagética ocidental, fornecendo à história da arte um vasto repertório visual focado na transmutação de formas, corpos e identidades. Inserido nessa tradição de traduções visuais do texto ovidiano, o presente artigo analisa o mito de Cênis, jovem filha do rei dos Lápitas que, após ser violentada por Netuno e receber do deus a concessão de um desejo, metamorfoseia-se no herói invulnerável Ceneu. A partir dessa narrativa, o estudo investiga a discrepância iconográfica entre as duas figuras: a notável escassez de representações referentes à figura feminina de Cênis em contraste com a recorrência visual do guerreiro masculino Ceneu. Para este efeito, a pesquisa compreende um levantamento sistemático realizado em catálogos digitais e bancos de dados online de museus, mapeando a presença e a ausência dessas representações nos acervos institucionais. Além disso, a análise fundamenta-se nas contribuições de historiadores da arte, como Aby Warburg (1866-1929) e Ernst Gombrich (1909-2001), visando assimilar os limites culturais e simbólicos da memória visual em seus distintos períodos, respondendo, portanto, às possíveis razões histórico-culturais que levaram ao apagamento da personagem feminina.
Nota biográfica | Short Bio
Licenciada em História da Arte (2024/2025) e mestranda em História da Arte, Patrimônio e Cultura Visual pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Maria Barros desenvolve uma investigação voltada aos estudos de gênero e sexualidade aplicados à cultura visual, com especial interesse pelos diálogos da contemporaneidade. A sua pesquisa articula tanto as produções do panorama brasileiro quanto as do cenário internacional, explorando como as dissidências e as novas visualidades reconfiguram a memória e o objeto artístico em distintos períodos.
| Palavras-chave | Keywords | Cênis; Ceneu; Ausência feminina; Iconografia; Ernst Gombrich; Aby Warburg. |
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