4 – 6 de nov. de 2026
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
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AS ARQUITETURAS MEGALÍTICAS NO CENTRO DE PORTUGAL: O DOLMEN DE AZURRAGUE (OURÉM) E O SEU ENQUADRAMENTO REGIONAL

5 de nov. de 2026 11:10
20m
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Via Panorâmica, s/n 4150-564 Porto Portugal
Comunicação | Paper Mundos de transição Mundos de transição

Palestrante

Alexandra Fgueiredo (Instituto Politécnico de Tomar)

Descrição

A região centro de Portugal, articulando-se em torno de bacias hidrográficas como a do Nabão e Zezere, em paisagens marcadas por uma densa rede de estruturas funerárias do Neolítico Médio ao Calcolítico, concentra um conjunto de estruturas megalíticas em pedra de relevo, para a compreensão da adoção destes comportamentos na pré-história recente. O Dolmen de Azurrague, localizado no município de Ourém, constitui um caso de estudo privilegiado neste contexto. Trata-se de uma câmara heptagonal com corredor diferenciado, integrada no grupo de estruturas megalíticas características do Alto Ribatejo, cuja escavação, iniciada em 2024 no âmbito do projeto PIPA–MEDICE II, tem revelado uma sequência deposicional interessante.
Os dados obtidos confirmam o uso do monumento como estrutura funerária coletiva, com deposições rituais de restos humanos associados a fauna e artefactos (líticos, cerâmicos e ósseos) representativos de múltiplos momentos deposicionais ao longo da Pré-História Recente, corroborados por cronologia absoluta.
O Dolmen de Azurrague insere-se num território com outros monumentos conhecidos, como o Complexo Megalítico de Rego da Murta (Alvaiázere), que documenta ocupações desde o Neolítico Final até ao Calcolítico Médio, com paralelos notáveis nas práticas funerárias, nos espólios e nas sequências estratigráficas. A análise comparativa destes sítios permite discutir as dinâmicas de ocupação, mobilidade e ritual funerário das comunidades pré-históricas do centro de Portugal, bem como o papel estruturante da paisagem megalítica na construção de identidades territoriais ao longo de milénios. Para além dos dados arqueográficos, a análise bioarqueológica, em articulação com o Laboratório de ADN Antigo do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), permitiu iniciar o estudo do ADN de amostras dentárias recolhidas in situ com protocolos de preservação molecular, abrindo perspetivas para a caracterização genética e relações dos grupos populacionais que utilizaram estes monumentos, que importa, numa conjugação entre todos os dados discutir.

Nota biográfica | Short Bio

PhD in Archaeology and Prehistory from the Faculty of Letters at the University of Porto, specializing in Prehistory and Underwater Archaeology. Participated in several European Union research projects. Served as assistant professor between 2001 and 2009. Since 2010, has been a professor at the Polytechnic Institute of Tomar (IPT), Portugal, and previously directed the Departmental Unit of Archaeology, Conservation and Heritage until 2016. Currently responsible for the Laboratory of Archaeology, Conservation and Underwater Heritage at IPT and collaborates with the Laboratory of Applied Research in Natural Hazards. Has coordinated postgraduate and master’s programs in Archaeology and Underwater Heritage since 2008. Responsible for numerous national and international research projects in Archaeology and Heritage. Lectures in the PhD program in History and Archaeology at the University of Lisbon and the University of Salamanca (Spain). Member of the R&D Unit of the Geosciences Centre – Quaternary and Prehistory Group, University of Coimbra (uID73).

Palavras-chave | Keywords Megalitismo, Pré-História Recente, Alto Ribatejo, Ourém, práticas funerárias, ADN antigo, MEDICE II

Autor

Alexandra Fgueiredo (Instituto Politécnico de Tomar)

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