Palestrante
Descrição
Esta comunicação aborda a memorialização não apenas como forma de preservação do passado, mas como prática cultural e política através da qual as sociedades tornam o passado inteligível no presente.
A partir dos estudos críticos de museus e do património, analisa-se o modo como a memória é social e institucionalmente produzida, e como os museus participam ativamente nesse processo enquanto dispositivos que organizam a visibilidade, estruturam a interpretação e moldam a experiência do passado. A memorialização é, assim, entendida como um campo de tensões, onde processos de reconhecimento coexistem com dinâmicas de exclusão, e onde a complexidade do vivido pode ser simultaneamente revelada e simplificada.
A comunicação discute diferentes regimes de memorialização e as temporalidades que lhes estão associadas, destacando abordagens que recusam narrativas estabilizadas. Em particular, mobilizam-se as noções de memória agonística, memória lenta e curadoria lenta para pensar formas de relação com o passado que sustentam a pluralidade, a hesitação e a abertura do significado. Propõe-se, assim, compreender a memorialização não como um processo de resolução, mas como criação de condições para permanecer com o passado na sua complexidade, abrindo espaço a formas mais críticas, plurais e eticamente implicadas de relação com o passado e de imaginação do futuro.