4 – 6 de nov. de 2026
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
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ARQUIVO COMO LUGAR: O CASO DO MUSEU DE ETONOLOGIA DO PORTO

4 de nov. de 2026 17:00
20m
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Via Panorâmica, s/n 4150-564 Porto Portugal
Comunicação | Paper Gestão do Património Gestão do património

Palestrante

Carolina Teixeira Sousa (CITCEM/FLUP)

Descrição

O desaparecimento material de instituições culturais implica frequentemente a perda do seu espaço físico e compromete as condições que sustentam a sua inteligibilidade histórica. No caso do Museu de Etnologia do Porto (MEP, 1945-1994), a ausência de um espaço museológico ativo não corresponde à sua extinção histórica, mas à perda do seu suporte físico e institucional, tornando o arquivo o principal - e único - lugar a partir do qual o museu pode continuar a existir.
Partindo deste caso de estudo, o presente trabalho propõe uma reflexão sobre o arquivo como lugar, entendendo-o não apenas como repositório documental, mas como uma estrutura relacional capaz de sustentar memória, articular práticas institucionais e tornar inteligível uma instituição materialmente desaparecida. Mais do que a documentação remanescente do museu, o arquivo é pensado como um espaço produzido através de processos de organização, classificação e interpretação, nos quais se constroem relações, hierarquias e formas de legibilidade. Neste sentido, a digitalização não é abordada como um fim em si mesma, nem como um processo meramente técnico, mas como uma prática que contribui para a reconfiguração desse lugar arquivístico. Ao possibilitar novas formas de acesso, legibilidade e visibilidade, a digitalização torna o museu novamente acessível à investigação, à interpretação e à circulação do conhecimento.
Com base na proposta metodológica de organização e digitalização do arquivo do MEP, o trabalho procura contribuir para uma reflexão mais ampla sobre a relação entre património, memória e inteligibilidade institucional, sugerindo que o lugar de uma instituição pode subsistir — e ser reconstituído — além da sua existência material.

Nota biográfica | Short Bio

Carolina Teixeira Sousa é doutoranda em Estudos do Património, com especialização em História da Arte, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde desenvolve investigação sobre o arquivo documental do Museu de Etnologia do Porto. É bolseira de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), em ambiente não académico, e colaboradora do CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória. A sua investigação centra-se na digitalização, organização e interpretação de arquivos vulneráveis, articulando património, memória e mediação digital. Interessa-se igualmente pelo estudo do património vernacular construído, dos espaços coletivos e das culturas locais.

Palavras-chave | Keywords arquivo documental; lugar; museus desaparecidos; digitalização; Museu de Etnologia do Porto.

Autor

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