Palestrante
Descrição
Construída em controvérsia, na igreja de Santa Clara de Vila do Conde, a Capela de Nossa Senhora da Conceição teve como primordial função constituir um lugar condigno para a sepultura dos fundadores da Casa Religiosa: D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins. Terminada em 1526, nela se acolheram os insignes corpos, em túmulos de pedra profusamente lavrada. O espaço sacro, renovado diariamente pela oferta votiva da missa e da oração in loco, foi durante séculos um lugar privilegiado de ação e contemplação, conhecendo alterações artísticas no longo tempo.
A presente comunicação parte da investigação desenvolvida em Mestrado, na qual se cruzaram fontes manuscritas, crónicas, literatura de viagem e fontes visuais com o objetivo de delinear diacronicamente alterações ocorridas no espaço e recuperar memória das manifestações imateriais – ofício litúrgico e devoção – a ele afetas. Seguindo a mesma metodologia, repensamos o tema e atualizamo-lo à luz de novos dados. Propomos uma síntese que permita compreender a profunda ligação entre espaço, funções, imagem e intangibilidade. Com os pés no presente, encarando o futuro, coloca-se a inevitável questão: como possibilitar a sua fruição, preservando-lhe a memória? Um lugar entregue ao esquecimento e ao pó merece que se revitalize e se respeite o seu espírito.
Nota biográfica | Short Bio
Raquel Lourenço é licenciada em História da Arte (2021) e mestre em História da Arte, Património e Cultura Visual (2024) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
| Palavras-chave | Keywords | Igreja de Santa Clara de Vila do Conde; Capela de Nossa Senhora da Conceição; D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins; Arte, património e memória; Liturgia e devoção. |
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