Ciência e Diplomacia: A Postura Internacionalista de Niels Bohr e seu papel nas origens do CERN.

America/Sao_Paulo
3017F (UERJ)

3017F

UERJ

Antonio Augusto Passos Videira (UERJ), Diego Torres Machado (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Eduardo Revoredo (Universidade do Estado do Rio de Janeiro (BR)), Eduardo Revoredo, Sandro Fonseca (Universidade do Estado do Rio de Janeiro (BR))
Description

Resumo:

Niels Bohr é amplamente reconhecido como um dos físicos mais influentes da história da ciência. Seu papel decisivo no desenvolvimento inicial da física quântica é bem conhecido, especialmente por meio da formulação do modelo quântico do átomo e de suas contribuições para a consolidação conceitual da mecânica quântica. No entanto, sua atuação nas décadas posteriores recebeu comparativamente menos atenção historiográfica. Em particular, ainda são relativamente pouco exploradas suas contribuições para a física nuclear e, de modo mais específico, para o processo de criação e para os primeiros anos de funcionamento da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN).
O objetivo desta apresentação é analisar o papel desempenhado por Bohr na criação do CERN. Para isso, discutiremos sua participação nos debates políticos e científicos que antecederam a fundação da instituição, incluindo a proposta — seriamente considerada à época — de estabelecer o novo laboratório europeu em Copenhague. Embora a decisão final tenha levado à construção do grande acelerador em Genebra, Bohr exerceu influência significativa na definição dos objetivos científicos e institucionais da nova organização. O papel desempenhado pelo cientista dinamarquês decorre de sua visão política de uma Europa unificada, o que o configura no período como um internacionalista. 
Além disso, Copenhague desempenhou um papel central nos primeiros anos do CERN: o grupo de Física Teórica da instituição funcionou na cidade durante seus cinco primeiros anos (1952–1957), no Instituto de Física Teórica fundado por Bohr. Nesse período inicial, o ambiente científico criado por Bohr contribuiu para articular redes de colaboração entre físicos europeus e para consolidar o novo laboratório como um centro de pesquisa europeu. 
Bohr também atuou ativamente no plano diplomático e científico, mobilizando apoio internacional para o projeto e incentivando importantes laboratórios e comunidades científicas a colaborarem com a iniciativa europeia. Argumentaremos, por fim, que a concepção predominante do CERN — entendida não apenas como um grande laboratório de física de partículas, mas sobretudo como um espaço institucional voltado à cooperação científica internacional — pode ser diretamente associada à visão e à influência intelectual e política de Niels Bohr.

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      Palestrante

      Professor Ivã Gurgel

      Ivã Gurgel é Professor no Instituto de Física da USP. Possui graduação em Licenciatura em Física (2004), mestrado em Ciências (Modalidade Ensino de Física, 2006) e doutorado em Educação (Modalidade Ensino de Ciências e Matemática, 2010) pela Universidade de São Paulo. Realizou estágio de doutorado no laboratório SPHERE - Sciences, Philosophie e Histoire do CNRS-França (2008-2009) e atuou como pesquisador convidado no Niels Bohr Archive, em Copenhague (2024-2025), onde permanece como colaborador. Tem experiência nas áreas de História da Ciência, Epistemologia e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: História da Física nos Séculos XIX e XX, História da Ciência no Brasil, Estudos Culturais da Ciência e Ensino de Física Moderna e Contemporânea. Coordena o Grupo de Teoria e História da Ciência Contemporânea (TeHCo) e o Acervo Histórico do IFUSP. É editor da Revista Brasileira de História da Ciência (RBHC) e membro do conselho da Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC). Desde 2025 participa do comitê gestor do INCT Ciência e Democracia.

      Speaker: Dr Ivã Gurgel (USP)