Palestrante
Descrição
Os contextos da Idade do Ferro identificados em Tongobriga (Freixo, Marco de Canaveses) revelam a presença de um povoado fortificado da Idade do Ferro, anterior à implantação do centro urbano romano. As escavações arqueológicas realizadas mostram diversas habitações circulares em pedra, típicas dos modelos indígenas do Noroeste Peninsular, bem como de estruturas defensivas, incluindo uma muralha que antecede a reorganização urbanística romana e a existência de um balneário proto-histórico talhado na rocha, um dos vestígios mais significativos da ocupação pré-romana no sítio. Entre os materiais recuperados, destacam-se inúmeros fragmentos de cerâmicas da Idade do Ferro recente. Estes encontram-se muito erodidos, sendo as formas cerâmicas pouco diversificadas, as organizações e técnicas decorativas apresentam motivos simples e são raros. Registamos neste trabalho, ainda, materiais anteriores à Idade do Ferro, o que permite afirmar, tendo em linha de conta outros trabalhos, que terá existido uma ocupação da Idade do Bronze Final. Em contraste com a produção de cerâmica local, temos a existência de uma quantidade apreciável de ânforas de período tardo-republicano.
Aliados a estes novos dados, recorremos aos registos de LiDAR, recentemente disponibilizados pela Direção-Geral do Território (DGT) de modo a identificar possíveis estruturas e por consequência recolher dados sobre a dimensão e dispersão deste e de outros sítios arqueológicos da envolvente.
A análise destes contextos e materiais demonstra que o assentamento original era de grande dimensão e importância regional, podendo ter acolhido uma comunidade de várias centenas a mais de mil habitantes, antes da transformação do local num núcleo urbano romano. No conjunto, os materiais e as estruturas da Idade do Ferro de Tongobriga refletem uma comunidade bem estabelecida, com práticas arquitetónicas próprias e um papel central nas redes sociais e territoriais do Baixo Tâmega antes da romanização.
Nota biográfica | Short Bio
Nuno Oliveira é Doutor em Arqueologia pela Universidade do Minho e membro do ICOMOS. Especialista na Idade do Ferro e na sua cultura material (cerâmica e metais) do noroeste português, combina o rigor científico com experiência prática alargada em escavações, conservação/restauro e desenho arqueológico.
É investigador no Lab2PT, com publicações nacionais e internacionais e com a passagem pela docência no ensino superior.
Atualmente, coordena um projeto focado no Castro Máximo, onde estuda materiais cerâmicos para clarificar a cronologia e ocupação daquele sítio que se encontra na área envolvente à antiga cidade romana de Bracara Augusta (Braga).
| Palavras-chave | Keywords | Tongobriga; Baixo-Tâmega; Materiais cerâmicos; LiDAR; cronologia |
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