Palestrante
Descrição
O presente texto resulta da revisitação da informação recolhida no decurso da nossa investigação de mestrado, centrada no Arquivo Histórico da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto e referente à Procissão das Cinzas da referida instituição. Concretamente, advém de uma constatação empírica resultante da análise dos dados recolhidos, cuja sistematização se pretende agora concretizar, a partir da análise quantitativa da documentação contemplada - datada entre 1633 e 1905.
O âmbito da presente abordagem, contudo, pretende cingir-se às sucessivas requalificações das imagens processionais, às quais a instituição se via obrigada pela sua deterioração ou necessidade de luzimento – obrigações não apenas de natureza simbólica, mas estatutariamente definidas. A contabilização das verbas gastas com imagens processionais será resumidamente apresentada, complementando-se a sua análise com as necessárias referências para contextualização dos resultados obtidos.
Cabeças, mãos e pés – os elementos mais destacados das imagens de vestir – são recorrentemente pintados, renovados, arranjados ou feitos de novo, numa verdadeira demonstração de reinvenção visual das imagens e da capacidade produtiva dos artistas e artífices convocados para o efeito - demonstrando-se, igualmente, a polivalência de alguns destes artistas em termos de suportes e técnicas utilizados. Adicionalmente, pretendemos contribuir para o debate em torno das imagens de vestir, a partir da intensa e permanente renovação da imagética processional do caso de estudo portuense. Paralelamente, pretendemos também consolidar o corpus do enquadramento das imagens de vestir na resposta à idolatria de que era acusada a Igreja Católica da Idade Moderna; por outro, a jusante, considerar o papel das imagens de vestir para a devoção popular, repensando a ideia de imagem enquanto veículo catequético à luz de uma sociedade maioritariamente iletrada e na qual se implementara o sensacionalismo de exteriorizações de penitência e mortificações públicas em contexto religioso.
Nota biográfica | Short Bio
João Luís Fernandes é licenciado em História da Arte (2017) e mestre em História da Arte, Património e Cultura Visual (2020) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Dedica-se à investigação nas áreas do Colecionismo, Património local e manifestações religiosas. Entre 2019 e 2021 trabalhou na Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, período no qual desenvolveu a sua investigação de mestrado sobre a Procissão de Cinzas da referida instituição, premiada com o prémio APHA/Millenium José-Augusto França 2020/21 para melhor dissertação de mestrado em História da Arte a nível nacional. Desde 2021, trabalha no Município de Vila Nova de Gaia, tendo assumido em outubro de 2022 a coordenação do Solar Condes de Resende.
| Palavras-chave | Keywords | Procissão; imagens de vestir; Quarta-feira de Cinzas |
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