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A distribuição de medida de emissão diferencial (DEM) descreve quanto plasma coronal existe em cada temperatura ao longo da linha de visada e é a base de mapas de medida de emissão (EM), temperatura média e largura térmica em regiões ativas. Com as seis bandas EUV do SDO/AIA (94, 131, 171, 193, 211 e 335 Å), obter a DEM é um problema inverso mal posto, cujo resultado depende da resposta em temperatura K(T) de cada canal e do modelo de erro. Apresentamos um pipeline genérico e reprodutível para a inversão DEM pixel a pixel, com pré-processamento pelo aiapy (apontamento, registro e correção de degradação com normalização pelo SDO/EVE), incertezas por pixel calculadas com o estimador oficial da equipe do AIA, inversão regularizada de Hannah & Kontar (2012) via demregpy, momentos da DEM (EM, ⟨log T⟩, T_em e σ_logT) com incertezas propagadas, máscara de qualidade 𝜒2 reduzido ≤ 3 e reprojeção para a grade CEA do SHARP, para comparação com o campo magnético fotosférico. Aplicamos o pipeline às regiões ativas NOAA 13663 (02/05/2024, ~12 h antes de um flare classe X) e NOAA 12712 (29/05/2018) e mostramos que a consistência entre a calibração dos dados e a K(T) determina o resultado físico mais do que os indicadores de ajuste. Combinar uma K(T) normalizada pelo EVE com dados sem essa normalização produziu um ajuste aparentemente aceitável, com 𝜒2 mediano de 1,29 e 64% dos pixels válidos, mas com EM ~23% menor e ⟨log T⟩ ~0,09 dex menor que a solução consistente, um artefato da mistura de calibrações. Já a correção empírica /chiantifix do canal de 94 Å, usada em trabalhos de referência (Hannah & Kontar 2013; Cheung et al. 2015), foi derivada para respostas baseadas no CHIANTI 7. Com a resposta atual (V10, CHIANTI 9.3), ela superestima o 94 Å em 10% na AR 13663 e em 36% na AR 12712, eleva o 𝜒2 mediano de 1,33 para 2,35 e de 1,78 para 5,02 e reduz os pixels válidos de 65% para 55% e de 60% para 38%. Na AR 12712, cria ainda um déficit no pico do Fe XVIII e uma componente quente espúria em log 𝑇 ≈ 7,1, em acordo com o alerta de Del Zanna et al. (2015). Mostramos também que a fração de pixels aceitos depende do limiar de 𝜒2 e do SNR, de modo que aceitar mais pixels não significa obter uma física mais correta. Com a configuração adotada (resposta V10 normalizada pelo EVE, sem chiantifix), a AR 13663 apresenta 𝜒2 mediano de 1,33, 65% de pixels válidos, T_em mediana de 2,84 MK e σ_logT de 0,33 dex, com incertezas estatísticas de ~4,5% em EM e 0,02 dex em ⟨log T⟩. O canal de 335 Å, porém, segue subestimado em 27–34% em todas as configurações e nas duas regiões, uma questão ainda em aberto. Concluímos que 𝜒2 e cobertura são necessários, mas não suficientes: antes de interpretar mapas de
temperatura e EM, é preciso verificar a consistência entre calibração, dados atômicos e modelo de erro.