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Tempestades magnéticas são perturbações do campo magnético terrestre causadas pela interação do vento solar com a magnetosfera. As rápidas variações geomagnéticas associadas a esses eventos induzem campos elétricos na superfície terrestre, podendo gerar Correntes Geomagneticamente Induzidas (GICs) que afetam redes elétricas e sistemas de comunicação. Embora mais intensas em altas latitudes, as GICs também ocorrem na América do Sul, onde sua magnitude depende tanto das variações do campo magnético quanto da estrutura regional de condutividade elétrica em subsuperfície. Nesse contexto, foi desenvolvido um dashboard em Python/Streamlit para estimativa do campo geoelétrico, integrando dados geomagnéticos da rede Embrace-Magnet e tensores de impedância magnetotelúrica. Os dados magnéticos são adquiridos do servidor Embrace, convertidos para unidades físicas e componentes cartesianas, submetidos à remoção de outliers, preenchimento de lacunas e remoção de tendência. As componentes horizontais Bx e By são transformadas para o domínio da frequência via Transformada Rápida de Fourier, enquanto os elementos do tensor de impedância Zxx, Zxy, Zyx, Zyy são reconstruídos a partir das partes real e imaginária e interpolados por splines cúbicas em escala logarítmica. Os campos geoelétricos Ex e Ey são obtidos pela multiplicação do tensor de impedância pelos espectros magnéticos e posteriormente convertidos ao domínio temporal pela Transformada Inversa de Fourier. A aplicação foi avaliada durante a tempestade geomagnética extrema G5 de 10–12 de maio de 2024, utilizando as estações magnéticas de São Luís (SLZ; 2,59417° S, 44,20972° O) e São José dos Campos (SJC; 23,20862° S, 45,96353° O), associadas às estações magnetotelúricas BAC (4,24000° S, 44,80000° O) e APG33 (23,68400° S, 51,72200° O), respectivamente. Os resultados indicaram predominância da componente Ey, com amplitudes próximas a -50 mV/km no nordeste e -80 mV/km no sudeste do Brasil. Essas diferenças refletem a influência conjunta da intensidade da tempestade, de fenômenos regionais como o Eletrojato Equatorial e a Anomalia Magnética do Atlântico Sul, além dos contrastes locais de condutividade. O modelo desenvolvido integra dados geomagnéticos e magnetotelúricos, tornando o dashboard uma ferramenta para análise regional de campos geoelétricos e avaliação da suscetibilidade às GICs.
Palavras-chave: Tempestades Geomagnéticas. Campo Geoelétrico. Método Magnetotelúrico. Correntes Geomagneticamente Induzidas.