4–6 May 2026
Recife
America/Recife timezone

Arquivos ocultos, memórias em risco: o cravo e a fragilidade documental na musicologia brasileira

Not scheduled
20m
CAC - Miniauditório 2 (Recife)

CAC - Miniauditório 2

Recife

Universidade Federal de Pernambuco Centro de Artes e Comunicação Departamento de Música Avenida da Arquitetura, S/n - Campos Universitário Recife - Pernambuco - Brasil CEP 50740-550
Comunicação Comunicações

Speakers

Dr Maria Aida Barroso (UFPE) Roberto Dutra (Universidade Federal de Pernambuco)

Description

Esta comunicação discute os desafios metodológicos envolvidos na reconstrução da
presença histórica do Cravo em Pernambuco, cujas fontes documentais primárias já
prospectadas têm revelado desafios constantes. O debate tem como ponto de partida a
pesquisa em andamento “O cravo em Pernambuco: mapeamento histórico”, que investiga a presença desse instrumento na região, buscando vestígios que vão desde a presença
jesuíta em Olinda, conforme relatos de Holler (2010), até 2025, ano que marca a
reinaguração do Cravo Roberto de Regina do Departamento de Música da UFPE. De
caráter exploratório, vem sendo realizada em diferentes tipos de acervos, como arquivos
públicos, bibliotecas, arquivos eclesiásticos, hemerotecas, coleções institucionais e acervos particulares. Nessas fontes, buscam-se evidências que permitam contextualizar práticas musicais, circulação de repertórios, atuação de músicos e intérpretes, bem como a presença do instrumento e seu protagonismo artístico e formativo.
Ao longo de um ano de pesquisa, temos encontrado um conjunto heterogêneo de
fontes, frequentemente dispersas e fragmentárias. Partituras, programas de concerto,
documentos administrativos, correspondências, registros de imprensa, fotografias,
instrumentos e relatos históricos compõem uma espécie de “colcha de retalhos” documental que exige abordagens interdisciplinares para sua interpretação. Nesse sentido, trazemos para a discussão contribuições da historiografia que discutem sobre memória, documento e produção do conhecimento histórico, especialmente a partir das reflexões de Jacques Le Goff (2003) sobre os encontros entre memória, documento e monumento; e Carlo Ginzburgn (2007), trazendo a relação entre testemunho e realidade histórica.
No campo específico da musicologia histórica, as reflexões sobre o estudo de
acervos musicais e conjuntos documentais, como as propostas por Paulo Castagna (2019)
acerca das características e desafios dos arquivos musicográficos, nos ajudam a buscar
soluções metodológicas e políticas criativas, entendendo o papel do pesquisador enquanto
mediador entre o arquivo e a sociedade. Essas perspectivas permitem também
compreender que os arquivos não devem ser entendidos apenas como repositórios neutros
de informações, mas como espaços políticos de disputas de memória.
O documento, enquanto testemunha de seu tempo, é constituído por lacunas, silêncios e fragmentos. Entre os principais desafios encontrados na pesquisa estão as
dificuldades de acesso a acervos, a deterioração de materiais, a ausência de catalogação e
a dependência de memórias individuais ou institucionais para a identificação de informações relevantes. Esses fatores evidenciam a fragilidade da documentação musical no Brasil e reforçam a necessidade de políticas de salvaguarda, organização e digitalização de acervos. Ao discutir os arquivos como espaços de construção da memória musical, esta comunicação busca contribuir para o debate metodológico na musicologia histórica, compartilhando alternativas metodológicas para a pesquisa no Brasil e, sobretudo, despertando para a importância da presença do cravo em Pernambuco.

Palavras-chave: Cravo; Acervos musicais pernambucanos; Musicologia histórica.

Authors

Dr Maria Aida Barroso (UFPE) Roberto Dutra (Universidade Federal de Pernambuco)

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