4–6 May 2026
Recife
America/Recife timezone

O Gesto Interpretativo em "Cérebro Eletrônico": Tramas entre Voz e Violão em Gil Luminoso

Not scheduled
20m
CAC - Miniauditório 2 (Recife)

CAC - Miniauditório 2

Recife

Universidade Federal de Pernambuco Centro de Artes e Comunicação Departamento de Música Avenida da Arquitetura, S/n - Campos Universitário Recife - Pernambuco - Brasil CEP 50740-550
Comunicação Comunicações

Speaker

Filipe Sousa

Description

O presente trabalho analisa a interpretação de voz e violão de Gilberto Gil na canção "Cérebro Eletrônico", integrante do álbum "Gil Luminoso" (1999). A pesquisa parte da premissa de que o cantautor estabelece um diálogo complexo entre esses dois planos sonoros, gerando camadas estéticas e narrativas que ressignificam a obra original lançada em 1969. Fundamentada na filosofia da linguagem do Círculo de Bakhtin, a análise explora as noções de enunciação e dialogismo como pilares para a compreensão da performance musical. Para a dimensão vocal, mobilizam-se os conceitos de fenocanto e genocanto de Roland Barthes, em interlocução com as ideias de sinal e signo de Valentin Voloshinov.

A metodologia consiste em uma análise comparativa entre o fonograma de 1969, marcado por uma estética tropicalista densa, e a versão de 1999, caracterizada pela nudez instrumental. Por meio de transcrições e escuta atenta, observa-se que a versão de "Gil Luminoso" reduz o andamento e adota uma métrica binária, conferindo à canção um caráter meditativo e introspectivo. Os resultados apontam que o improviso vocal e o uso de onomatopeias percussivas assumem o protagonismo, aproximando a voz da rítmica do violão através de técnicas como a bocca chiusa e o uso de consoantes plosivas.

No plano violonístico, identificou-se a transição entre o violão ponteado e o rasgueado como recurso para impulsionar a dinâmica e a densidade do arranjo. A relação dialógica entre os instrumentos manifesta-se de forma exemplar no uso recorrente de slides e glissandos, que borram as fronteiras entre o vocal e o instrumental. Tais gestos são interpretados como signos de autonomia humana e resistência à precisão algorítmica tematizada na letra, reafirmando a imperfeição orgânica como valor estético frente à máquina. Em suma, a investigação desvela como as escolhas interpretativas de Gil constroem um enunciado musical único e responsivo. O trabalho contribui para os estudos da performance na música popular, oferecendo uma perspectiva interdisciplinar que articula técnica instrumental e filosofia da linguagem.

Author

Presentation materials

There are no materials yet.