4–6 May 2026
Recife
America/Recife timezone

Uma análise das semelhanças entre o batuque carioca e as danças nordestinas.

Not scheduled
20m
CAC - Miniauditório 2 (Recife)

CAC - Miniauditório 2

Recife

Universidade Federal de Pernambuco Centro de Artes e Comunicação Departamento de Música Avenida da Arquitetura, S/n - Campos Universitário Recife - Pernambuco - Brasil CEP 50740-550
Comunicações

Speaker

Victor Oliveira

Description

Palavras-chave: batuque; danças nordestinas; samba.
Resumo: Este trabalho busca refletir sobre as semelhanças entre as características corporais, no sentido da dança, das práticas musicais batuque e Cavalo Marinho. O batuque, nesta conjuntura, refere-se à prática mencionada em estudos e relatos correspondentes ao contexto antecedente ao samba carioca, entre o final do século XIX e início do século XX. Carlos Sandroni, quem melhor se debruçou sobre especificar essa prática, classificou o termo batuque como “uma designação genérica sobre a dança dos negros no Brasil” dos séculos XVI até o século XIX, tendo sido referido, inclusive, como qualificação de gênero musical de determinadas peças musicais. No entanto, escritores, estudiosos, jornalistas e sambistas pioneiros do samba urbano carioca, como Mário Lago, Muniz Sodré, Vagalume, Carlos Cachaça e Donga, referiram-se ao batuque como uma prática musical com cânticos e atabaques, basicamente, em uma roda onde os praticantes se enfrentavam no verso e na dança, com passos e golpes semelhantes aos de capoeira. Nesse sentido, o batuque praticado na capital fluminense carregava elementos perceptíveis da cultura nordestina, tanto no verso como na dança. A capoeiragem, como apontado por João da Baiana, possuía um forte vínculo com as práticas de dança baiana, mais especificamente o Samba Duro, enquanto os versos cantados - que deram origem ao partido alto, possuíam forte ligação com a chula raiada. Na musicalidade que influenciou a harmonia que viria a ser tocada no samba carioca, indícios apontam a possibilidade de que o tráfico interprovincial após o declínio da produção da cana de açúcar no Nordeste (PIRES, 2017) poderia ter exportado a musicalidade dos violeiros pernambucanos escravizados para as fazendas cafeeiras do Vale do Paraíba, cujos habitantes tiveram intensa participação na elaboração do novo samba da então capital brasileira (LOPES, 2008, p. 63), decorrente dos referidos batuques multiculturais. Em vista da eminente contribuição da cultura nordestina para a elaboração do samba carioca, busca-se compreender neste trabalho se existem similaridades observáveis entre o que foi relatado pelos viventes da época em que o batuque era praticado e danças como o Cavalo Marinho, visto que semelhanças de passos vigorosos e rasteiros são observados nessa dança e mencionados nos batuques praticados no Rio de Janeiro.

Author

Presentation materials

There are no materials yet.