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Este artigo investiga o papel do "violeiro" no Santo Daime, compreendendo-o como agente central na mediação entre música, ritual e transmissão de saberes (ALBUQUERQUE, 2015). Ancorado na etnomusicologia, o estudo analisa o estatuto social, simbólico e musical do "violeiro" no contexto ritual daimista, evidenciando sua função não apenas como instrumentista, mas como condutor da experiência coletiva (Turino, 2018) e guardião de uma tradição musical-religiosa.Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa de base etnográfica, articulando observação participante em rituais, registros em diário de campo, entrevistas semiestruturadas e análise performativa das práticas violonísticas no contexto ritual. Integra-se a essa perspectiva a posição do pesquisador-músico e daimista (NETTL, 2005), mobilizando procedimentos de pesquisa baseada na prática de acompanhamento musical como forma de acesso às dimensões incorporadas do fazer musical ou etnografia guiada pela performance (SILVA, 2023; JUNQUEIRA, 2020).A análise discute as relações entre autoridade musical e legitimidade espiritual, destacando como o domínio técnico do instrumento se articula a dimensões éticas, corporais e rituais. Examina, ainda, as dinâmicas de ensino-aprendizagem entre mestres e aprendizes, enfatizando processos de transmissão fundamentados na oralidade, na convivência e na prática compartilhada.Ao situar o violeiro como figura-chave na manutenção e atualização do repertório de hinos, o artigo contribui para a compreensão das formas de continuidade e transformação da tradição musical no Santo Daime, evidenciando a inseparabilidade entre performance, espiritualidade e construção de conhecimento musical.
PALAVRAS-CHAVE:Violão;Etnomusicologia;Transmissão Musical;Música de Ayahuasca;Santo Daime.