4–6 May 2026
Recife
America/Recife timezone

Os conceitos de “música folclórica” e “música popular” nas interpretações do samba carioca: duas abordagens e um balanço crítico

Not scheduled
20m
CAC - Miniauditório 2 (Recife)

CAC - Miniauditório 2

Recife

Universidade Federal de Pernambuco Centro de Artes e Comunicação Departamento de Música Avenida da Arquitetura, S/n - Campos Universitário Recife - Pernambuco - Brasil CEP 50740-550
Comunicação Comunicações

Speaker

Jonas Bertuol Garcia

Description

Esta pesquisa propõe fazer uma revisão crítica das noções de “samba folclórico” e “samba popular”, conforme estas foram utilizadas em análises a respeito do samba carioca à época de seu surgimento. A exposição se concentrará em dois marcos teóricos: 1) a abordagem dos estudos do folclore, que promoveu um significativo debate em torno das expressões “música folclórica” e “música popular”, empregando tais conceitos para distinguir as diferentes modalidades de samba; e 2) o livro Feitiço decente, de Carlos Sandroni, sobre as transformações do samba carioca nas primeiras décadas do século XX, no qual o autor recorre àquelas categorias para mostrar as mediações pelas quais esse gênero musical passou em seu trânsito de uma esfera cultural para a outra. Após essa revisão, pretende-se fazer um balanço crítico acerca do emprego de tal sistema teórico na definição do que seja a música popular e, em especial, na caracterização do samba carioca.
Vários autores ligados aos estudos folclóricos procuraram estabelecer critérios de diferenciação entre uma cultura vista como tradicional, ligada a práticas comunitárias, de circulação anônima e calcada na oralidade, e outra de caráter comercial, difundida pelos meios de comunicação, composta por autor conhecido e voltada para o entretenimento das massas urbanas. Em várias formulações – desde a distinção proposta por Mário de Andrade sobre o que seria “verdadeiramente popular” e o que seria “apenas popularesco”, até as definições apresentadas pelo movimento folclorista dos anos 1940-50 acerca dos campos do “folclore” e do “popular” –, essa corrente de pensamento procurou entender o lugar social e o sentido cultural do samba carioca que circulava tanto no ambiente das escolas de samba quanto nos discos e no rádio. Embora tenham esbarrado em classificações imprecisas e em polêmicas quanto à validade folclórica de tais manifestações, esses autores legaram importantes questões para as pesquisas subsequentes. Uma delas, a de Carlos Sandroni, vai partir justamente da distinção entre “samba folclórico” e “samba popular” para entender de que maneira as práticas musicais realizadas nos ambientes informais das rodas de samba e dos desfiles carnavalescos foram filtradas e modificadas para poderem adentrar o circuito mercadológico das edições de partitura, das gravações em disco e do rádio, assumindo a forma de obra autoral. O musicólogo distingue, assim, o samba carioca moderno de tais práticas “folclóricas”, caracterizando-o em oposição à música das rodas dos redutos do samba e dos cortejos de carnaval.
Ao final da exposição, procuraremos apontar o que nos parecem ser algumas insuficiências analíticas de um conceito de “música popular” delimitado pela noção de “folclore”, em favor de que tal conceito seja entendido antes como um processo social e cultural tensionado em vários níveis da sociedade. Propomos, com isso, uma caracterização do moderno samba carioca que não seja demarcada em contraposição ao samba dos morros e dos subúrbios, destacando sobretudo o dito samba de terreiro, enquanto uma forma moderna que incorpora elementos da música comercial sem, contudo, deixar de se radicar no âmbito da oralidade e das práticas comunitárias.

Palavras-chave: Música folclórica; Música popular; Samba carioca; Música e sociedade.

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