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O presente trabalho tem como objetivo investigar se há a presença de obras de compositoras pianistas e quais as suas principais características nas revistas/magazines O Malho e O Jornal das Moças ambas de circulação entre as décadas de 1900 e 1960. As magazines brasileiras abordavam, na época, uma variedade de assuntos que transitavam desde o contexto político, social da época à costumes e modas femininas. Foram importantes influenciadoras, formadoras de valores sociais e de conceitos estéticos e comportamentais durante seu período áureo. Elas desfrutaram de uma eficiente circulação devido a sua facilidade de aquisição e preço, tendo ampla penetração em diversas classes sociais (O Malho) ou mesmo quando restritas a uma camada mais elitizada da sociedade (O Jornal das Moças). A pesquisa sobre mulheres compositoras pianistas iniciou-se no site do IMSLP contendo diversas obras publicadas em diferentes revistas, O Tagarela, Fon Fon, O Jornal das Moças, Revistas das mocas e O Malho. Diante de tantas alternativas, O Malho e O Jornal das Moças foram escolhidos como nosso recorte, dado o seu contexto histórico e a sua importância social. No decorrer na busca de fontes, descobriu se que as edições das revistas O Malho e O Jornal das Moças encontravam-se quase que integralmente disponíveis na plataforma da Biblioteca Nacional em um acervo on-line denominado Hemeroteca. Nele encontram-se as publicações e os exemplares digitalizados da revista O Malho (1902 a 1952) e do O Jornal das Moças (1914 a 1961), havendo um lapso na revista O Malho nas edições dos anos de 1922 a 1930. No processo de pesquisa, dentre o recorte disponível, contabilizamos 65 partituras no O Malho e 106 no O Jornal das moças, resultando em um total de 171 obras de compositoras. Estas obras apresentam-se em diversos gêneros musicais, porém, a valsa e a ecossaise amplamente predominam. Soma-se a isso o fato de as obras estarem posicionadas nos níveis de dificuldade técnica intermediária e avançada de piano. Dos problemas enfrentados destacamos questões de autoria, pois, naquela época, a composição e a regência eram atividades quase que exclusivamente desempenhadas por homens, sendo frequente o emprego de pseudônimos, o que inviabilizou, em certos casos, a identificação do gênero da autora. Foram encontradas também dificuldades no entendimento e na clareza de algumas partituras, pois, por mais que as magazines O Malho e O Jornal das Moças apresentem uma razoável qualidade de edição, algumas obras ainda estavam praticamente ilegíveis, demandando um tratamento editorial. Como consequência deste levantamento, uma pesquisa de natureza quantitativa, foi realizado uma catalogação das obras com os estilos, tonalidades e níveis de dificuldades que são apresentados através de tabelas, gráficos para uma melhor ilustração dos resultados encontrados.