4–6 May 2026
Recife
America/Recife timezone

Tempo vertical: uma organização da estaticidade em obras de Jean-Pierre Caron

Not scheduled
20m
CAC - Miniauditório 2 (Recife)

CAC - Miniauditório 2

Recife

Universidade Federal de Pernambuco Centro de Artes e Comunicação Departamento de Música Avenida da Arquitetura, S/n - Campos Universitário Recife - Pernambuco - Brasil CEP 50740-550
Comunicação Comunicações

Speaker

Natan Ferreira Andrade Santos

Description

O tempo musical, entendido como um acontecimento que só pode ser experienciado no campo sensível – isto é, na vivência e percepção –, contrapõe-se à concepção de um tempo cronológico, geralmente concebido como algo mensurável e absoluto. Segundo Susanne Langer, a música “cria uma imagem do tempo medida pelo movimento de formas que parecem dar-lhe substância, porém uma substância que consiste inteiramente de som, de modo que é a própria transitoriedade” (LANGER, 2020, p. 117). Desse modo, “a música torna o tempo audível, e torna sensíveis suas formas e continuidade” (LANGER, 2020, p. 117).
Compreender a música como fenômeno temporal – uma organização de relações sonoras que se desdobram “no e através do tempo” (KRAMER, 1988, p. 1, tradução nossa) – implica reconhecer que o tempo musical constitui o próprio meio em que a música se realiza. Assim, a experiência musical não deriva de um tempo previamente definido, mas emerge da articulação dos eventos sonoros na subjetividade do ouvinte. Porém, embora o tempo musical não possa ser estabelecido antecipadamente de forma definitiva, a música pode ser organizada para engendrar experiências que tendem a evocar configurações temporais específicas. Nesse sentido, o tempo musical pode ser entendido como um fenômeno que “existe na relação entre os ouvintes e a música” (KRAMER, 1988, p. 7, tradução nossa) , envolvendo simultaneamente a estruturação sonora e a experiência da escuta.
Para esclarecer essa relação, Carole Gubernikoff distingue dois tipos de representação: “a extrínseca, cujos referentes se encontram ‘fora’ da música” (GUBERNIKOFF, 1992, p. 10); e a intrínseca, que pode ser compreendida como aquela que se refere aos elementos estruturais da música – “algo que a música ‘faz de si mesma’, algo de sua própria organização formal, ou do modo como a música consegue, imanentemente, produzir ‘conceitos abstratos’ em sua própria concreção enquanto matéria sonora organizada” (CARON; FERREIRA, 2022, p. 17). Nesse sentido, compreendemos que é por meio da representação intrínseca que diferentes configurações temporais podem ser consideradas.
Uma dessas configurações é o que Jonathan D. Kramer denomina de tempo vertical – “o grau máximo de espacialização do tempo, onde a implicação estaria virtualmente expulsa, e a simultaneidade total coexistiria num presente absoluto” (CARON; FERREIRA, 2022, p. 21). Nessa perspectiva, compreendemos o tempo vertical como um modo de organização sonora que tende a engendrar um regime temporal associado à estaticidade (estase).
Dentre os músicos brasileiros que trabalham com este tipo de abordagem, destacamos o compositor carioca Jean-Pierre Caron. Assim, propomos a investigação de obras de sua autoria que operariam em tempo vertical, favorecendo a sensação de estase, através de uma abordagem, a princípio, sistemática e descritiva, articulando escuta e registro visual, com foco nos processos que constituem a representação intrínseca da música – sua escritura, sua operatividade sistêmica e a sua manifestação sonora.
Palavras-chave: Tempo musical; Tempo vertical; Estase; Representação intrínseca.

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