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O presente trabalho faz parte de uma pesquisa de mestrado em Geografia em curso que propõe investigar o lugar identitário e sonoro dos rabequeiros da cidade de Natal (RN). A investigação estabelece um diálogo com a etnomusicologia, uma vez que uma de suas tarefas centrais está em investigar maneiras de como as pessoas fazem música (Seeger, 2008). Nesse contexto, o conceito geográfico de Lugar emerge como categoria fundamental para apreender as formas pelas quais os rabequeiros produzem sua música no espaço urbano, fundamentando-se nos aportes da geografia humanista que valoriza a subjetividade e a afetividade como elementos que dão existência aos lugares (Sposito e Silva, 2021). Sob essa perspectiva, entende-se que o rabequeiro pode ser compreendido como um "sujeito corporificado", em que sua corporeidade se forma por meio dos lugares que os atravessam, fornecendo possibilidades de ser para suas identidades (Sposito & Silva, 2021). Alinhado a esse pensamento, defende-se que o ato de tocar música contribui para a criação e o fortalecimento de laços emotivos, demarcando corporeidades e relações socioespaciais a partir de estímulos fornecidos pelos próprios lugares (Dozena, 2019). Um dos autores que exploram o conceito de lugar é Tuan (2015), que considera que há um significado de espaço que está frequentemente fundido com o de lugar, isso porque o que é entendido como espaço, pode se transformar em lugar à medida que o conhecemos e o dotamos de valor. Para a pesquisa, é observado que o sentido do Lugar deriva da corporeidade dos sujeitos na trama de fenômenos geográficos (Lima, 2014). Metodologicamente, a pesquisa utiliza a entrevista e observação participante como ferramentas essenciais, visto que a linguagem verbal é fundamental na transmissão da expressão do vivido e na afirmação de subjetividades (Sposito e Silva, 2021). Segundo Berdoulay e Entrikin (2021), a relação entre sujeito e Lugar é marcada por uma tensão constante entre a singularidade construída pelo indivíduo e sua inscrição no mundo, e a socialização é um elemento sociológico importante para o entendimento dessas identidades (Sposito e Silva, 2021). Assim, como achados preliminares, identificou-se que a sonoridade dos rabequeiros em Natal demarca o Lugar por meio de uma corporeidade técnica diferenciada, uma vez que, enquanto rabequeiros do interior mantêm uma execução "rasgada" e uma pegada braçal no arco como reflexo de uma aprendizagem intuitiva e rural, os rabequeiros urbanos, e neste caso, também litorâneos, desenvolvem uma sonoridade diferenciada caracterizada por uma técnica mais "limpa" e inspirada no violino erudito, que está diretamente relacionada ao Lugar que o rabequeiro é formado e que forma o seu Lugar de atuação. Conclui-se, portanto, que a atuação do rabequeiro é atravessada pelas especificidades do Lugar, enquanto o próprio Lugar é demarcado e vivificado pela corporeidade e subjetividade que o artista imprime na sua ligação com os lugares (Silva, 2019).
Palavras-chave: rabequeiros; Lugar; etnomusicologia; corporeidade.