4–6 May 2026
Recife
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O uso do contrabaixo na discografia de Luiz Gonzaga, no período de 1968 a 1976

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20m
CAC - Miniauditório 2 (Recife)

CAC - Miniauditório 2

Recife

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Comunicação Comunicações

Speaker

Lourenço Matheus (UNIRIO)

Description

Este trabalho é parte de uma pesquisa em andamento, vinculada ao curso de Mestrado, na linha de Documentação e História da Música, do Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). O artigo pretende investigar o processo de “eletrificação” das gravações de Luiz Gonzaga a partir do levantamento de discos lançados no período de 1968 a 1976, com enfoque na introdução do baixo elétrico em alternância ao contrabaixo acústico e à tuba. Tal processo pode ser observado em outros gêneros de música popular brasileira, como o frevo e o samba (Sales, 2018; Beck, 2021), e está relacionado a particularidades econômicas, técnicas e estéticas oferecidas pelo baixo elétrico em relação ao contrabaixo acústico, tanto para os músicos quanto para os produtores e engenheiros de som (Aune, 2020; Beck, 2021), dentre elas: menor preço, maior facilidade de captação, maior praticidade devido ao seu tamanho reduzido, menor exigência técnica devido à inserção de trastes no instrumento. O período selecionado compreende o lançamento de oito discos de Gonzaga: “São João do Araripe” (1968), “Sertão 70” (1970), “O canto jovem de Luiz Gonzaga” (1971), “São João quente” (1971), “Aquilo bom!” (1972), “Luiz Gonzaga” (1973), “Daquele jeito” (1974) e “Capim novo” (1976). A escolha desse período se deve à utilização de uma instrumentação similar ao longo dos discos, com pequenas variações (violão, viola, cavaco, contrabaixo, sanfona e percussão), além de compreender a introdução do baixo elétrico em algumas das gravações. A partir da análise dos fonogramas, é possível identificar os seguintes instrumentos melódicos/harmônicos de tessitura grave presentes em cada disco: tuba e violão de 7 cordas (1968); contrabaixo acústico, clarone e violão de 7 cordas (1970); contrabaixo acústico (1971a); tuba (1971b); baixo elétrico (1972); baixo elétrico (em apenas duas músicas) e tuba (1973); tuba (1974); baixo elétrico (1976). Com isso pode-se observar: 1 - a predominância da tuba ou do contrabaixo acústico na maior parte dos discos; 2 - a presença do baixo elétrico pela primeira vez no disco “Aquilo bom!” (1972) ainda que não estabelecido como principal instrumento grave, vindo a constar em apenas duas músicas do disco seguinte e, posteriormente, no disco “Capim novo”, (1976). Em dois dos discos selecionados, “O canto jovem de Luiz Gonzaga” (1971) e “Capim novo” (1976), consta a ficha técnica relacionando os músicos participantes. O baixista Sérgio Barrozo consta em ambos creditado apenas como “baixo”, sem especificação do instrumento acústico ou elétrico. No entanto, pode-se identificar o contrabaixo acústico no primeiro disco e o elétrico no segundo. Barrozo, atuante desde a primeira metade da década de 1960 com o contrabaixo acústico, passou a tocar também o baixo elétrico devido à demanda criada pela predominância do baixo elétrico nas gravações de música brasileira (Aune, 2020).
Palavras-chave: Luiz Gonzaga; Contrabaixo acústico; Baixo elétrico; Gravação

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