4–6 May 2026
Recife
America/Recife timezone

O SOM DIRETO COMO ELEMENTO COMPOSICIONAL NO CINEMA PARAIBANO: CONTRIBUIÇÕES PARA A ESCUTA E ANÁLISE ESTÉTICA ATRAVÉS DA MUSICOLOGIA

Not scheduled
20m
CAC - Miniauditório 2 (Recife)

CAC - Miniauditório 2

Recife

Universidade Federal de Pernambuco Centro de Artes e Comunicação Departamento de Música Avenida da Arquitetura, S/n - Campos Universitário Recife - Pernambuco - Brasil CEP 50740-550
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Speaker

Breno Felipe Lima de Sousa

Description

Esta investigação, vinculada à pesquisa de doutorado em Música na UFPB (Linha de História, Estética e Fenomenologia da Música), propõe uma análise ontológica do fenômeno sonoro captado in loco e sua transfiguração em ferramenta narrativa e estrutural no audiovisual contemporâneo. O objeto central é o som direto, registro sincrônico de diálogos, ruídos e ambiências, compreendido não apenas como um suporte técnico de verossimilhança, mas como um elemento fundamental da composição musical expandida da obra cinematográfica. No plano da fundamentação teórica, o estudo aprofunda-se na natureza física do som, definido como uma onda mecânica longitudinal que se propaga em meios elásticos, cujas variáveis de frequência, amplitude e fase determinam a assinatura tímbrica da acústica de uma locação. Sob a ótica da acústica arquitetônica aplicada ao cinema, o som direto é o registro da interação entre a fonte sonora e as propriedades reflexivas e absortivas do espaço (reverberação e eco), conferindo à obra uma "verdade acústica" que a pós-produção raramente mimetiza com perfeição. Dialoga-se com o conceito de "objeto sonoro" de Pierre Schaeffer (1966) e a "escuta reduzida" de Michel Chion (1990), propondo que o som direto, ao ser desvinculado de sua causa imediata, revela propriedades morfológicas, ataques, sustentações e decaimentos que operam de forma rítmica e textural na montagem fílmica. A literatura revisada abarca a ecologia sonora de R. Murray Schafer (1977), permitindo interpretar o som direto como um registro da paisagem sonora paraibana, onde as marcas sonoras locais funcionam como vetores de identidade cultural e memória. Complementarmente, a pesquisa utiliza as teorias de Barry Truax (1984) sobre a comunicação acústica e a análise espectromorfológica de Denis Smalley (1997), ferramentas essenciais para descrever como ruídos incidentais e ambiências captadas no set são organizados em estruturas de tensão e relaxamento, assemelhando-se a procedimentos da música eletroacústica.
A problemática centra-se na subutilização estética do som direto, frequentemente relegado apenas à função de garantir a inteligibilidade dos diálogos. Em contrapartida, a produção cinematográfica da Paraíba tem demonstrado uma tendência à valorização do "som de campo" como estratégia expressiva. Através de um corpus que inclui curtas metragens e documentários, a pesquisa analisa como a crueza da captação direta estabelece uma relação de proximidade com o espectador.
A metodologia, de caráter qualitativo e exploratório, emprega a revisão bibliográfica sistemática e a análise fílmica pautada na escuta tecnicamente mediada. Prevê-se a realização de entrevistas semiestruturadas com profissionais do som direto e engenheiros de áudio que trabalham no audiovisual paraibano, visando investigar os processos de tomada de decisão técnica, como a escolha de transdutores e padrões de polaridade, e sua intencionalidade estética dentro da narrativa. O estudo justifica-se pela necessidade de expandir os horizontes da musicologia para além da nota escrita, reconhecendo no ruído cinematográfico captados em tempo real uma complexidade composicional que reconfigura as fronteiras entre arte sonora, acústica e cinema.

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