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Description
Em atmosferas ricas em CO$_2$, que estão sempre expostas à radiação
ionizante, os processos de fragmentação dessa molécula podem impactar
significativamente o inventário de moléculas presentes, a exemplo dos
nossos vizinhos planetários, Vênus e Marte [1,2]. No entanto, a produção de O$_2+$ como resultado direto da fragmentação de CO$_2$ nunca havia sido quantificada. Como o oxigênio molecular é considerado um vestígio potencial de organismos vivos, ter conhecimento sobre as vias não bióticas para sua produção é fundamental. Neste trabalho identificamos e medimos, em termos absolutos, os íons de O$_2^+$ e garantimos que sua produção é resultado da fragmentação do CO$_2$ por impacto de elétrons [3]. A técnica empregada utilizou elétrons rápidos e espectrometria de tempo de voo com extração retardada [4]. Essa descoberta representa um avanço na exploração planetária, fornecendo uma nova metodologia para a produção de oxigênio a partir do CO$_2$, essencial para a vida. Essa forma não biótica de produzir oxigênio abre novas perspectivas para a produção artificial de O$_2$,compreensão de fenômenos naturais ainda não explicados, incluindo a concentração de O$_2^+$ nas altas camadas da atmosfera de Marte, e investigação da possibilidade de vida extraterrestre [5].
Referências
1. A. T. Basilevsky and J. W. Head, Rep. Prog. Phys. 66, 1699 (2003).
2. H. B. Franz, M. G. Trainer, C. A. Malespin, P. R. Mahaffy,S. K. Atreya, R. H. Becker, M. Benna, P. G. Conrad, J. L.Eigenbrode, C. Freissinet, H. L. K. Manning, B. D. Prats, E. Raaen, and M. H. Wong, Planet. Space Sci. 138, 44 (2017).
3. A. B. Monteiro-Carvalho, L. Sigaud and E. C. Montenegro Phys. Rev. Lett. 132, 153002 (2024).
4. Natalia Ferreira, L. Sigaud, V. L. B. de Jesus, A. B. Rocha, L. H. Coutinho, and E. C. Montenegro, Phys. Rev. A 86,012702 (2012).
5. J. Krissansen-Totton, J. J. Fortney, F. Nimmo, and N. Wogan, AGU Adv. 2, e2020AV000294 (2021).